quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A serpente e a tentação.

Este post não trata do Pecado Original, por mais que o título possa parecer.

Tive a felicidade de conviver por um bom tempo com meu avô paterno, José Antônio da Rocha, mais conhecido como José Menino. Em minha adolescência e juventude, durante os dias em que passava férias na casa dele, nas cercanias da querida cidade de Campos Gerais, em Minas Gerais, passávamos horas conversando - eu mais ouvindo as suas histórias e estórias. Ele, então já doente, com dificuldade de respirar, falava manso e pausadamente, o que aumentava e prendia minha atenção.

De certa feita me contou a história de como uma Jibóia capturava um boi, e engolia-o por inteiro: a Jibóia, uma das maiores cobras do mundo, ficava em alguma touceira de mato à beira do trilho por onde o gado passava, enrolada em algum arbusto mais forte. Quando passava o último boi, ou novilho, ou bezerro, já distanciado do rebanho, a Jibóia - que não possui veneno - dava o bote, mordendo e enrolando-se na anca do boi. O boi assutava-se e tentava libertar-se da cobra, correndo e escoiceando, saltando e chifrando o ar. A Jibóia, presa ao arbusto, ia esticando-se, dando corda para o boi saltar. Dizia meu avô que chegava a ficar da espessura de um dedo - parte da história ou estória a parte... Após algum tempo o boi cansava e parava de espernear. A Jibóia então começava a contrair-se, puxando o boi para perto da moita na qual permanecia presa, enrolando-se mais no corpo do boi e apertando-o mais ainda. Já tendo tomado algum fôlego o boi recomeçava a tentativa de soltar-se, saltando, escoiceando e chifrando... "Até levantando poeira do mato", disse. Em vão. Até cansar-se novamente. A Jibóia então trazia-o e enrolava-se mais um pouco no corpo do boi, diminuindo cada vez mais a capacidade de respiração dele. Esta luta permanecia assim, então, por minutos sem fim. Até que o boi, completamente exausto, caía por terra, quase sem poder respirar. A Jibóia então soltava-se da moita à qual prendera-se e envolvia completamente o boi, começando das ancas em direção à cabeça. Envolto o boi, começava a contrair-se, e, segundo meu avô, "dava para ouvir os estalos das juntas rompendo-se e dos ossos da costela partindo-se". Finalmente, depois de prensar o boi com seu abraço mortal, a Jibóia começava a engoli-lo pelo focinho, até o boi sumir completamente pelo rabo e patas traseiras em sua enorme boca.

É claro que fiquei impressionado com a história - ou estória - e, mesmo acreditando em meu avô - que fôra boiadeiro por um bom tempo de sua vida até casar-se com minha avó, Maria Vitória - fiquei pensando porque é que alguém assistiria, paciente e impávido, à uma terrível cena dessas, nada fazendo para salvar o boi...

Meu avô terminou de contar o causo e, após a costumeira pausa, olhando fixamente para mim, concluiu:
- Assim também é que o Diabo nos engole e nos leva para o inferno. Ele se prende, à beira de nosso caminho, nossa vida, à espreita de passarmos desavisados, sozinhos, desligados da família e das coisas de Deus. Então dá o bote: a tentação para pecarmos. Pecamos, e logo em seguida vem o remorso, a tristeza, o arrependimento... Feridos, tentamos em vão lutar contra a culpa: pedimos perdão e juramos não mais pecar. E novamente vem a tentação, e novo pecado... e lá vamos nós de novo: nova luta, novo cansaço... Até que, cansados, fracos, desistimos: "Não tem jeito, Deus não me perdoará mais... Vou pro inferno"! E então, somos engolidos!

Perguntei, então:
- Mas vovô, o que podemos fazer então? Se nem o boi, com sua força, consegue livrar-se deste bote, deste terrível destino?

E ele disse:
- Nas nós temos a palavra, a orientação, a proteção e a infinita misericórdia de Deus! Se seguirmos o caminho que Ele nos indica, não cairemos na armadilha. Se formos atacados e presos pelo pecado, Ele já nos libertou pela morte de Seu único filho, e nos dará força para lutarmos durante todos os dias contra a tentação, até o último momento de nossas vidas. Esta é a diferença: só nos deixaremos levar se desistirmos, e é exatamente isso que o Diabo quer de nós: que desacreditemo-nos de Deus e de Seu perdão. O boi só é engolido porque se entrega!

Até hoje guardo comigo a emoção que estas palavras me causaram.
E graças ao exemplo de fé de meus avós, de meus pais, tenho a certeza que sempre poderei contar, assim como todos nós, com a orientação, a proteção e a infinita misericórdia de Deus.
Posso falhar, posso pecar, como ser imperfeito que sou...
Mas jamais serei engolido!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Oração ao Anjo da Guarda.

Quanto vos devo, ó meu bom Anjo, pelo que me comunicastes e que eu nem sempre obedeci!
Ah! Continuai a esclarecer-me, repreendei-me quando cair, e não me abandoneis  até o derradeiro instante da minha vida.
Ai, Santo Anjo, quantas vezes vos obriguei, pelos meus pacados, a tapar a face! Perdão vos peço e suplico-vos que intercedais por mim junto ao Senhor Deus, porque estou resolvido a não mais desagradá-Lo e nem a vós pelas minhas faltas.
Agradeço-vos, ó príncipe do paraíso, por me terdes assistido durante todo o tempo de minha vida. Eu vos esqueci, mas vós nunca deixastes de pensar em mim.
Ignoro o caminho que ainda me resta a percorrer antes de entrar na eternidade. Ah, meu caridoso guarda, guardai-me na estrada do céu, e não cesseis de me auxiliar até que me vejais como companheiro vosso no reino dos escolhidos.
Amém.
 
Do site www.asc.org.br, transcrito do livro "Novenas para todas as necessidades".

A benção do Senhor

Assim o Senhor Deus ensinou Aarão a abençoar o povo de Israel:
 
O Senhor vos abençoe e vos guarde.
O Senhor vos mostre a Sua face e vos conceda a Sua graça.
O Senhor volva o Seu rosto para vós e vos dê a paz!
 
Num 6,23
 
Assim devemos abençoar aqueles a quem estimamos: Filhos, irmãos, amigos, colegas de escola e de trabalho, aqueles com quem compartilhamos os momentos - por menores que sejam - de nossas vidas!
 
É essa benção que deixo para você, que me lê neste momento.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Meu Senhor e meu Deus!

Com a força que fazes girar a terra
Sobre si mesma e em torno do sol
Também derrubas as folhas secas
E os impérios e seus reis.
 
Com a força com que derrubas as folhas secas
Fazes girar os astros do céu em todo o universo
E todos os dias comandas o nascer e o pôr do sol
Que nos aliviam na tristeza e nos dão esperanças.
 
És o Senhor dos Senhores
Do tempo, das forças e do infinito
Provedor do Amor de todos os amores
Perante quem é apenas sopro o meu grito.
 
Incompreensível por Tua grandeza
Eterno em Tua imperceptível ternura
Presente em explendor e beleza
Em cada detalhe de toda criatura.
 
Sim, meu Senhor e meu Deus!
Não há como não crer em Ti
Olhando para tuas obras, para os filhos Teus
Sempre a tua presença eu senti!
 
 

domingo, 11 de novembro de 2007

O Deus dos vivos!

Como é bom ouvir do próprio Jesus estas palavras!

Deus é o Deus dos vivos. E a vida que nos espera, se recebermos a Sua graça, não se parece em nada com a que agora temos. Aqui somos regidos pelas vontades da carne, sujeitos à constante tentação e apertados dentro da pequenez de nosso corpo terrestre. "Serão como anjos...", nos diz Jesus, ao responder à uma "pegadinha" dos saduceus.

Mas e nossa família? E os amigos? E os amores de nossas vidas?

Meus caros: imaginemos que todas as nossas sensações de satisfação, todas as nossas alegrias, toda a nossa felicidade... O carinho e amor que sentimos, tudo isso é apenas uma ínfima, mas muito pequena mesmo, parte do amor de Deus. Talvez seja difícil para nós, tanto quanto imaginar a proporção do Seu poder, de Sua glória. Mas não é impossível. Se, como seres humanos frágeis e passíveis de tantos males já podemos usufruir dessas migalhas - saciedade, alegrias, paixões e amores - o quanto não nos será dado dessas mesmas coisas quando estivermos na presença do Deus Altíssimo, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, Deus dos vivos?

Ressuscitados, na glória de Deus, vivendo na plenitude da vida. Nada mais nos será necessário. Por toda a eternidade. E, para isto, nos é exigido em troca apenas a fidelidade a Deus nesta vida terrena. Tão pouco, e ao mesmo tempo tão difícil... Por isso necessitamos Dele, das palavras de vida eterna de seu Filho unigênito.

É Jesus que tem a capacidade de nos fazer enxergar isto. É como ver o sol por sobre as nuvens: sabemos que ele está lá, mesmo em um dia chuvoso. Mas teimamos em desconfiar... Tal qual acontece com a crença na ressureição e na vida eterna. Para não deixar dúvidas, Jesus é direto: E Deus é o Deus dos vivos!

Amém.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Palavras de vida eterna.

"A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna." (Jo 6,68).

Ontem, durante a missa da celebração da festa da Comunidade de Santa Terezinha do Menino Jesus, da Paróquia de Santa Cândida, ouvi o padre narrar a história da Santa. Enclausurada em um convento, em oração, fez muito pela fé, pelos missionários. Estudou e escreveu belíssimas palavras, exortando os cristãos pelo mundo afora.

Pensei comigo: quase duzentos anos depois, com a Internet e todos os recursos de comunicação que temos, poucos sabem da história de Santa Teresinha do Menino Jesus. E muitos se perguntam, tal como eu próprio, o que eu posso fazer nesse mundo para torná-lo melhor? Como ser missionário em tempos tão difíceis? Como evangelizar, como falar de Deus e de Jesus Cristo para toda essa imensidão de pessoas?

Este blog é parte da resposta. É uma iniciativa simples e modesta para tentar cumprir essa ambiciosa missão: falar de Deus, de Jesus...

Seja bem-vindo e colabore. Afinal, é da palavra de Deus, e "palavras de vida eterna", de que se alimentará este blog.